A poluição sonora no meio urbano

A Organização Mundial da Saúde, desde o ano de 2009, considera o ruído urbano como a segunda maior fonte de poluição do mundo, atrás apenas da poluição do ar e superando a da água. Estima que existam mais de 50 milhões de pessoas expostas a poluição sonora, principalmente noturna.

Essa condição, em situações extremas, pode afetar a saúde da população gerando o stress, distúrbios no sono, irritabilidade, dificuldade na comunicação e até mesmo sintomas fisiológicos como alteração de pressão arterial e problemas cardiovasculares.

Um agravante dessa situação é a demora do aparecimento dos primeiros sintomas, que raramente são ligados ao excesso de ruído e, desta forma, são tratados inadequadamente.

Outro efeito da poluição sonora é o econômico, pois prejudica uma série de atividades econômicas, como o turismo, e ainda pode ser uma das causas da desvalorização imobiliária.

Fatores que geram a poluição urbana

A poluição sonora não é exclusiva dos grandes centros urbanos. Também é presente nas cidades de médio e pequeno porte.

Das diversas fontes de ruído no meio urbano pode-se destacar o ruído de tráfego e as atividades de entretenimento, da construção civil e as industriais.

Os prédios industriais, por uma série de outros fatores como a logística e poluição do ar, recebem uma atenção especial no planejamento urbano, ficando em locais distantes dos bairros residenciais e com acesso as rodovias.

As atividades de entretenimento também podem sofrer uma maior regulação dos órgãos de fiscalização municipais com imposição de limites de emissão de ruído e serem ordenadas pelo zoneamento urbano.

As atividades da construção civil, em geral, são limitadas apenas pelo turno de trabalho, diurno, mas acabam sendo onipresentes no meio urbano. Algumas fases ou tipos de obras utilizam equipamentos ruidosos como bate-estacas, rolos compactadores vibratórios, serras e lixadeiras, obrigando a população a conviver com mais essa forma de poluição.

Já o tráfego de veículos é a principal fonte de ruído que compõe a paisagem sonora dos centros urbanos, situação que será amenizada apenas com o advento dos veículos híbridos ou elétricos, mas que no momento é um problema de difícil resolução por estar presente em todos os locais, 24 horas por dia.

A poluição urbana gerada pelo tráfego de veículos

O poder público possui algumas ferramentas para o controle da poluição sonora gerada pelo tráfego. Uma delas é a fiscalização do ruído emitido pelos veículos, principalmente os que alteram o sistema silenciador do escape de gases original de fábrica.

Este é um fato que infelizmente vem ganhando notoriedade com o aumento das atividades de entrega de refeições, motivado pelos inúmeros aplicativos que fornecem esse tipo de serviço e também pelo confinamento devido à pandemia de COVID19, e especial no período noturno.

A população em geral, a mesma que demanda pela entrega de refeições em sua casa, tem que conviver com centenas de motocicletas que podem emitir mais de 90 dB cada uma em velocidades acima dos 60 km/h. O efeito disso, como já visto, é danoso a todos.

Outra ação do poder público seria o controle da velocidade dos veículos que também deve ser analisada junto a outros fatores ligados a mobilidade urbana.

A qualidade do pavimento pode também influenciar no ruído de tráfego, pois acima de 60 km/h, o ruído gerado pela interação do pavimento e do pneu se sobrepõe ao gerado pelo motor, em condições normais de funcionamento. Os pavimentos adequados ajudam a reduzir a emissão de ruído, principalmente em vias de maior velocidade, assim como a fiscalização das condições de rodagem dos pneus.

Planejamento urbano como controle da poluição sonora

Dessa forma, a principal ferramenta de controle da poluição sonora é o planejamento urbano, onde junto com a tipologia da ocupação também se deve definir níveis de ruído adequados ao local.

Neste contexto os mapas acústicos são fundamentais, pois ajudam a visualizar a distribuição do ruído no meio urbano e a definir as distâncias adequadas entre as principais fontes de ruído, como as rodovias, e aglomerados residenciais.

No exemplo abaixo é possível ver o mapa de conflito (nível de pressão sonora acima de 55 dB, critério para áreas mistas) de uma cidade de médio porte que faz parte de uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Desenvolvimento Regional (https://www.rbgdr.net/revista/index.php/rbgdr/article/view/1975/474) e pode ser acessado por completo no link.

Pode-se observar que em algumas vias o ruído chega a ficar mais de 20 dB acima no indicado pela legislação brasileira e que essa situação chega também no meio das quadras.

Por fim, apesar de a poluição sonora ser um fator que domina as cidades de médio e grande porte, o poder público possui instrumentos de planejamento e fiscalização capazes de mitigar a geração de ruído de maneira a melhorar a qualidade e a saúde da população em geral.

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Prof. Dr. Luiz Antonio P. F. de Brito

Prof. Dr. Luiz Antonio Brito, é membro titular do Instituto Brasileiro de Avaliação e Perícias em Engenharia, IBAPE, e Profissional certificado pela Sociedade Brasileira de Acústica, SOBRAC, Diretor da Acústica Aplicada, que é uma empresa especializada em análise e controle da propagação do ruído e vibração no meio ambiente, acústica arquitetônica e ambientes fabris. Executa laudos e perícias seguindo as determinações do CONAMA. ✉ brito@acusticaaplicada.net

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